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Viver sem paixão é existir sem ter vida. É sonhar sem nunca ter vivido a realidade. José Maria Cardoso
Escrito por escritorjmcardoso às 22h31
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Escrito por escritorjmcardoso às 22h28
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Quando somos magoados Quando somos magoados por alguém, o primeiro sentimento é a raiva, o que não deixa de ser normal, pois é uma forma de defesa do nosso corpo contra o ataque externo. Com o tempo, este sentimento de raiva deveria passar normalmente, ficando somente a lembrança do acontecido, mas muitas pessoas preferem guardar o sentimento da mágoa no coração e no pensamento. Assim, tornam-se amarguradas, cheias de complexos e com muito medo de envolverem-se novamente em qualquer relação. Muitas dessas pessoas passam a ter doenças emocionais, por que não conseguem perdoar as outras pessoas e a si mesmo, pelos fatos desagradáveis que aconteceram em suas vidas no passado. Passam a caminhar no sentido contrário da felicidade. Por outro lado, a própria vida mostra que perdoar aqueles que nos magoam pode trazer profundos benefícios, como o controle da raiva, a redução do estresse e, talvez o mais importante, a melhora da saúde. Sendo que, o simples fato de pensar em solucionar uma mágoa poderá nos ajudar a aumentar nosso nível de amor próprio e nosso envolvimento social. Lembre-se, que não existe uma solução única e rápida para os males do coração, mas que você precisa treinar seu coração para o perdão constante. Seja qual for a nossa maneira de neutralizar a raiva, o perdão pode ser poderoso. E embora não possamos mudar o passado, confrontar problemas não resolvidos e as pessoas por trás deles pode conduzir a um futuro mais saudável. A verdade é que não adianta sofrer por não perdoar, pois é perdoando que se é perdoado. Fonte: Livro Totalidade Humana: Em Busca da Vida. Escritor José Maria Cardoso. Editora Caratinga 2004
Escrito por escritorjmcardoso às 15h50
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MUDANÇA Muitas vezes, a mudança de vida que tanto queremos, é uma simples questão de fazer criativamente o que já fazemos todos os dias. Mas em outros momentos, é preciso questionar e resignificar sua existência, fazendo perguntas de auto-análise. Pois há pessoas que têm muita consciência de suas limitações, mas não conhecem seu potencial como ser humano dotado de vários dons, ou vice-versa, desta forma tornam-se pessoas sem estímulo ou ponto de apoio. Em nossas vidas, devemos saber dosar, no palco da construção pessoal, as limitações e os potenciais; evitando ao máximo as comparações com outras pessoas. O mais importante não é vencer as marcas, as conquistas, as posses do outro, e sim, a cada dia, que vençamos nossas próprias marcas, na conquista de nossos objetivos; buscando alternativas para a felicidade e a realização. Não importa a idade, o sexo, a cor da pele ou a situação em que nos encontramos, sempre é hora de recomeçar, pois sempre haverá um novo Sol no horizonte para aqueles que acordam e olham pela janela o amanhã de sua vida. Uma boa forma de recomeçar, é saber se perdoar das correntes da culpa, por não ser perfeito, por não ter conseguido realizar tudo o que queria. Uma mente livre de preocupações facilita a busca de respostas e a entrada da auto-realização. Por outro lado, ou muitas vezes, quando as pessoas estão passando por momentos complicados, talvez seja melhor que cheguem ao limite de suas forças e entendam que é preciso ousar, falar de seus erros e acertos, não ficar chorando o passado, descobrir novos lugares, encontrar pessoas, sair da solidão... Chegando ao limite, notar que é hora de então começar o longo caminho de volta em direção ao ser humano, recuperando sua dignidade. Fonte: Livro Totalidade Humana: Em Busca da Vida. Escritor José Maria Cardoso. Editora Caratinga 2004
Escrito por escritorjmcardoso às 15h15
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Reflexão da Semana
"Egoísmo não é viver à nossa maneira, mas desejar que os outros vivam como nós queremos."
Fonte: Pensamento Positivo
Escrito por escritorjmcardoso às 09h30
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SOBREVIVENDO PELA FORÇA DE UMA PAIXÃO
Em um dia qualquer, andando pelas estradas solitárias da minha existência de adolescente, encontrei alguém que me deu um novo sentido para a palavra “viver”. Esta pessoa foi você. Desde o primeiro olhar que trocamos, senti que você era uma pessoa especial para mim. Mas nem imaginava quanto. Uma pequena conversa em uma sorveteria, agitada pelos embalos de sábado à tarde e pelo calor do verão, foi o início de toda a nossa história. Da sorveteira fomos para a praça mais próxima da cidade. Um banco frio de cimento foi o palco de nossos primeiros beijos e abraços; as pessoas, que passavam apressadas e nem notavam a nossa presença, foram as nossas testemunhas quando juramos fidelidade eterna um ao outro, mesmo sendo ainda nosso primeiro encontro.
Livro Conto, Reconto; Encontro um Novo Conto. Autor José Maria Cardoso. Lançamento em alguns dias. Aguardem!
Escrito por escritorjmcardoso às 14h03
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Livro Conto, Reconto; Encontro um Novo Conto. Lançamento em alguns dias. Aguardem!
Escrito por escritorjmcardoso às 23h41
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O PÔR-DO-SOL E AS FASES DA VIDA
A melhor definição para as fases da vida, em um contexto poético e reflexivo, é o Pôr-do-Sol em um desfiladeiro perto do mar.
O céu azul e ensolarado, com o passar do tempo irredutível e constante, vai tornando-se verde, amarelo, abóbora, vermelho, roxo e depois mergulha na completa escuridão. Tons de cores que, na medida que vão aumentando sua intensidade, demonstram a finitude de um ciclo infinito: do pôr-do-sol, da vida.
O Azul é um bebê cheio de vida e ansioso pelo desabrochar dos outros tons de cores.
O Verde é uma criança que dá seus primeiros passos, ainda incertos.
O Amarelo é um adolescente com toda a sua vivacidade e rebeldia frente a tudo e a todos.
O Abóbora é um jovem que crítica os valores da sociedade, mas também lutas pelas soluções dos problemas.
O Vermelho é o adulto que passa pelos maiores problemas, mas também pela fase da vida mais frutuosa.
O Roxo é um velho pronto para fechar um ciclo e começar outro com o que acumulou de sabedoria em sua vida.
E a Escuridão é o fim do ciclo diário do Sol, que voltará no outro dia mesmo que entre as nuvens. A Escuridão é a morte, mas é na morte que voltamos nossa vida totalmente para a luz do amanhecer do Criador, para a infinitude.
Trecho do Livro Conto, Reconto; Encontro um Novo Conto. Autor José Maria Cardoso.
Escrito por escritorjmcardoso às 09h09
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NO MOVIMENTO DO CORPO INTEGRAL
O som do tambor e das palmas nos convida
A uma reflexão como partida
Trabalhar o corpo e a emoção
Mantendo a ludicidade, a interdisciplinaridade e a inclusão
Na Escola de Tempo Integral
Uma chance para trabalhar com o conhecimento plural
A Educação Física entra para dar o sabor
E no centro dos conteúdos a arte do corpo por
Brincar por brincar, jogar por jogar, sonhar por sonhar
Brincar, jogar e sonhar para viver integralmente
E o professor é aquele que traz para o que era rotina
Um jogo, uma brincadeira com regras e a molecagem com disciplina
Na Ginástica e Atletismo, nos Jogos e Brincadeiras
É o conhecimento sendo repartido de outras maneiras
O movimento sincronizado da vida se transforma em dança
Quando a criança, com confiança
No ritmo da construção do saber se lança
A ginga do Futebol, da Peteca e da Capoeira
É preciso experimentar
Para perder o preconceito que gera medo
E o conhecimento acumulado pela cultura vivenciar
Na utilização do nosso corpo como brinquedo
Transformando o ensino em aprendizagem
No vai e volta dos corpos no mundo
Professores e alunos reproduzem a mensagem
Não é ter o corpo mais sarado
Mas é tê-lo nas suas múltiplas dimensões explorado
Então é só trabalhar companheiro
De uma forma ainda não vista igual
Envolvendo as partes e o inteiro
No movimento do corpo integral.
Um grande abraço da amigo
Escritor José Maria Cardoso
Escrito por escritorjmcardoso às 23h17
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Seu nome é poesia...
... seu corpo o meu paraíso desconhecido...
... pronto para ser amado!
Seu olhar diz muita coisa...
... mesmo na imensidão do infinito...
... que é teu corpo de mulher!
Meu coração navega assim...
... sem rumo, no seu amor de sereia...
... pronto para morrer de amor!
Escrito por escritorjmcardoso às 14h51
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A MINHA PRIMEIRA PAIXÃO
(CONTINUAÇÃO DO PUBLICADO NO DIA 05/06/2008)
Começamos a conversar assuntos banais; os assuntos percorriam caminhos que nenhum de nós dois estávamos interessados, o medo de tocar no assunto realmente importante estava presente também em nós dois. Tomando coragem, eu disse que sentia uma enorme paixão por você. Não sei se você compreendeu minhas palavras, pois elas saíram em um misto de murmúrio e de palavras picadas pela gagueira do momento. Sua expressão não dizia nada. Um silêncio cortante invadiu a praça, não conseguia ver a pessoas que estavam a nossa volta e tive uma nítida impressão que o meu coração parou de bater por alguns segundos, que se eternizaram diante da minha expectativa. Você olhou para um canto qualquer da praça e falou simplesmente:
___ Não sinto por você nada mais que amizade; além de estar envolvido com outra pessoa, que amo demais. Sinto muito! Mas nunca quis alimentar falsas esperanças de amor por você, mesmo quando lhe tratava com simpatia.
Digo, sinceramente, que não esperava ouvir estas palavras vindas de você e, principalmente, faladas com tanta indiferença. Elas doeram muito mais que qualquer dor que eu já tivera no passado, pois provocaram uma dor de paixão, que somente já foram apaixonados podem compreender. Tentei dizer algo, implorar o seu amor, mas, cadê minha voz novamente? Você levantou-se repentinamente e disse que iria embora. Neste momento minha amiga voltou para junto de nós, pois percebera de longe o que havia acontecido. Você e minha amiga trocaram algumas palavras, que no momento não ouvi, pois era enorme o meu desespero. Você disse adeus e as lágrimas começaram a sair dos meus olhos tristes. Em uma última tentativa, minha amiga pediu para você dar-me pelo menos um abraço de despedida. Eu pensei, ele não vai querer abraçar-me. Mas para nossa surpresa, você caminhou em minha direção e me abraçou com muita força. Ah! Como foi maravilhoso aquele abraço, senti meu coração sorrir naquele momento. Seu perfume gostoso e suave envolvia-me em um laço inebriante e, eu lhe apertava cada vez mais em meus braços, não querendo lhe deixar ir embora. Mesmo sabendo que era o nosso primeiro e último abraço, curti o momento. Você, gentilmente, retirou meus braços de seus ombros e disse adeus. Ainda sem entender os sentimentos que passavam no meu coração, disse para você sempre se lembrar de mim e, que se algum dia a sua situação amorosa mudasse eu estaria esperando. Eu fiquei olhando você ir embora, meu coração pedia mais uns instantes na sua presença, mas você não entendeu a mensagem silenciosa de todo o meu corpo. Acho que você disse um “tudo bem” sem olhar para trás e desapareceu na multidão que estava na praça. Quando meus olhos não mais o avistavam, as lágrimas vieram inundar o meu rosto. Abracei a minha amiga e, sentido que o mundo fugia dos meus pés, voei em meus pensamentos.
Os meus pensamentos visualizaram outro momento, bem diferente do que acabara de viver. Que você tinha aceitado namorar comigo; que dizia amar-me muito; que nosso amor seria para sempre. Em um misto de pura loucura e paixão, pensei que estava abraçando você e não minha amiga. A dura realidade voltou em meus pensamentos e chorei mais ainda. Ah! Se você soubesse como chorei por você, pelo teu amor. A minha amiga consolando-me e dizendo que se você havia me rejeitado era por que não me merecia. Mas como fazer um coração apaixonado entender um “não” da pessoa amada? Como fazê-lo agir com a razão? Se ele era pura emoção por você. Como entender uma pessoa que me tratava com tanto carinho em um momento, mas que em outro momento era um completo estranho? Realmente, ainda não estava preparada para apaixonar-me.
O caminho até minha casa nunca foi tão longo. Entrei em casa, agradeci a companhia da minha amiga, que voltou para a festa. Fui para o meu quarto sem falar com ninguém e voltei a chorar muito mais do que antes; chorei compulsivamente a perda de um amor que nem havia nascido, que foi na verdade um aborto de uma paixão. Perguntas e mais perguntas invadiam o meu pensamento. Por que isso tinha que acontecer comigo? Como encarar você novamente? Seria possível amar outra pessoal como amava você? Sim. Naquele quarto escuro, descobri que lhe amava e, esta constatação me fez mais triste ainda. As tantas histórias bonitas que imaginei para nós dois estavam tão distantes que não conseguia imaginar nenhuma delas. Não sei a hora que dormi naquela noite, ou melhor, não sei se consegui dormir.
No outro dia, não sai no portão para ver você como de costume. Assim, aconteceu por vários meses. Eu sabia que você passaria por ali dia após dia, mas o meu coração magoado pedia para não vê-lo. Aos poucos, comecei a olhar da janela, depois do quintal, até que um dia sai no portão novamente para ver você passando tão sorridente, falando “oi” e, continuado seu caminho como se nada tivesse acontecido conosco. Alguns dia depois, lá estava eu passando novamente em frente ao seu trabalho para olhá-lo.
Os dias passavam tão rápidos, parecia que eu estava ficando para trás. Sabia da necessidade de dar um jeito na minha vida, que o tempo não espera por ninguém, que estava presa em uma teia feita por mim mesma. Mas como sair dela? Parece que quanto mais tentava, mais ficava presa em meus pensamentos por você. Ficava imaginando como seria maravilhoso ganhar outro abraço seu. Apesar de ter sido um abraço de despedida: um até nunca mais; ele significou muito para mim. Sabe, quando você me abraçou, eu fechei os olhos e esqueci de tudo a minha volta. Naquele momento, só havia nós dois no mundo inteiro para mim. Por poucos instantes viajei nas estradas do amor.
Nossa! Você nem se importava com a minha presença insistente nos lugares em que estava, enquanto que para mim eram preciosos os momentos que na distância contemplava o seu rosto. O meu sofrimento fez-me refletir, precisava sair realmente daquela situação de abandono de meu ser por você. Precisava sair para conhecer novas pessoas, pessoas que também gostassem de mim. Sabia que ficando daquela forma era impossível alguém querer aproximar-se do meu coração, pois eu mesma não conseguia encontrá-lo, na confusão de meus sentimentos.
Neste tempo que lhe amava, quantas frases apaixonadas eu escrevi, quantas delas falavam de um amor impossível, não sei. Quantas vezes o meu viver ficou esquecido, para ficar pensando em como nos conhecemos. Mas como o tempo, que é o melhor amigo dos corações destruídos pela paixão, descobri que já não mais gostava tanto de você, pois não senti nenhuma emoção maior ao vê-lo um dia com sua namorada. Passei por vocês, falei um “oi” e continuei minha caminhada. Notei naquele instante que minha primeira paixão havia passado. Que a maturidade para amar havia chegado em meu coração.
Ao constatar que minha paixão por você havia passado, fiquei muito mais livre para realmente descobrir o que havia acontecido com nós dois. Passei a encarar a vida de frente, buscar no olhar de outros garotos o amor que de você jamais teria. Não por você, mas por que já não mais fazia sentido para mim sua presença e, deixei para trás minha paixão “sem razão”. Um mundo novo de emoções apareceu em minha frente e, passei a buscar as relações “concretas” do amor, aquelas que me completariam como mulher, única e especial.
Hoje, anos e anos após você ter me falado o primeiro “oi”, depois de viver outros amores, sofrido e vivido intensamente o calor de outras paixões, sinto que os sofrimentos e sentimentos que tive por você me prepararam para amar de verdade, sem os vestígios da adolescência. Uma vaga, mas gostosa lembrança agora enche o meu coração quando relembrou a minha primeira paixão. Que foi você!
Com carinho e saudades, Cláudia.
Fonte: Livro Coração Jovem Paixões para a Vida. Autor José Maria Cardoso
Escrito por escritorjmcardoso às 09h58
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A MINHA PRIMEIRA PAIXÃO
Das muitas coisas que aconteceram em minha vida, você teve uma grande participação. Principalmente, no que diz respeito às paixões. Os momentos que marcam as nossas vidas devem sempre estar em nossa lembrança, pois são exemplos positivos ou negativos da nossa história pessoal. A descoberta da paixão é um momento mágico na vida de qualquer pessoa. É uma fonte inesgotável e saborosa de muitos e muitos delírios adolescentes. Assim, é nossa história.
Tudo começou sem pressa. Apenas você passava e fala um “oi”, enquanto eu varria a calçada da minha casa. Era tão simples esse encontro, mas aos poucos foi tornando-se muito importante para mim. Um sentimento, que meu coração adolescente ainda não compreendia, começou a surgir dentro do peito. Quantas vezes eu te esperava no portão. O engraçado é que meu coração já sabia mais ou menos o horário que você ia passar e começava a bater descompassado, convidando-me a sair para lhe ver. Quando não te via, a tristeza invadia o meu coração. Às vezes passava da hora de você passar e logo pensava: “Será que já passou?”. Mas logo você surgia lá na esquina e eu no portão esperando para receber algo tão insignificante, mas ao mesmo tempo tão importante para mim, o seu “oi” de cada dia. Você passava e sorria para mim. Ah! Como eu gostava de ver você sorrindo. Seu sorriso transmitia-me toda a paz que eu precisava para o resto daquele dia. Depois que você contornava a esquina, tudo voltava ao normal. Eu ia para dentro de casa cuidar dos meus afazeres e esperar o outro dia de manhã para ver você novamente passar na minha rua, que era o pequeno palco do início da minha paixão por você.
Com meu coração de adolescente, passei a fantasiar histórias e mais histórias de nós dois. Em todas elas você era o príncipe e eu, logicamente, a sua princesa. Nas muitas aventuras, que imaginava, sempre acontecia alguma coisa para atrapalhar o nosso romance, mas você em seu cavalo branco salvava-me e vivíamos felizes para sempre. Em um momento éramos Romeu e Julieta, em outro Aladim e Rapunzel, em outros ainda, Maria e José, tal era a confusão de pensamentos e emoções. Doces momentos eram os que eu passava pensando em você. As outras coisas ao meu redor tornaram-se secundárias. Em casa, o meu companheiro inseparável era o Diário de capa cor de rosa, em outras horas o cúmplice era meu caderno de poesias românticas; na escola, todos os assuntos e conteúdos faziam-me imaginar momentos felizes com você. Tornei-me sonhadora em um mundo construído por mim para nós dois. Mundo este que você nem imaginava existir. Depois, tornei-me silenciosa, calada, pois sabia que às vezes é necessário esquecer e deixar o tempo agir por nós. Na esperança que um dia você ficasse perto de mim. Somente sonhos! Sonhos estes que davam sentido pleno a minha existência, passei a cuidar mais dos meus objetivos diários, do meu visual, das palavras que saíam de minha boca, tudo acontecendo como um resultado do que estava no meu coração. Aquela paixão realmente estava mexendo comigo. Comecei a ver as coisas e as pessoas à minha volta com outros olhos, a valorizar até mesmo a lua, que iluminava o meu quarto na madrugada enquanto esperava o amanhecer em minhas noites de insônia e paixão.
O tempo passa inevitavelmente e com ele surge o medo de não realizar os nossos sonhos. Um dia resolvi perguntar seu nome, mas minha timidez era maior. Agora, esperava por você todas as manhãs no portão com a idéia de perguntar seu nome. Mas logo que via você, meu coração disparava, as pernas tremiam, os meus pés não conseguiam sair do chão e, cadê minha voz? Buscava forças no peito, respirando fundo, mas nem o “oi” de cada dia, em certos momentos, conseguia dizer. Quantas vezes eu voltei chorando para dentro de casa, derrotada pela minha vergonha de pronunciar apenas quatro palavras: Qual é seu nome? Pegando o meu caderno de mensagens, escrevia frases e mais frases apaixonadas, ou em outros momentos revoltadas contra a minha incapacidade de dizer o quanto você tinha se tornado importante para mim; que você não sai dos meus pensamentos. De pensar em você, tornei-me poetiza; poetiza das palavras hora açucaradas, hora amarguradas pela paixão febril, que acontecia em meu corpo ainda inexperiente.
Um dia, porém, passando em frente à Oficina de Automóveis onde trabalhava, vi você sentado no chão a concertar um carro. A imagem daquele dia eu ainda guardo na memória. Eu ia passando, você sorriu, falou “oi” e, é claro que também retribui da mesma forma. Parei, voltei, abaixei um pouco para ficar quase na altura de seus olhos e criei coragem para fazer uma pergunta. Pergunta esta, que ainda não era a que tanto queria fazer: Posso lhe fazer uma pergunta? Disse em um sussurro. Você parou o que estava fazendo, olhou nos meu olhar e disse “sim”. Perguntei, finalmente, qual era seu nome. E de sua parte, a resposta veio como um vento refrescante é para o andarilho no deserto. Sua forma de dizer seu nome cativou-me mais e mais, apaixonei-me sem fronteiras.
Nossa! Como o seu nome é bonito! E você também! Foram as frases que sem perceber saíram de minha boca. Criando mais coragem ainda, disse para você que queira lhe conhecer melhor. A timidez invadiu-me novamente e sai dali quase correndo e com o coração acelerado, pulando de felicidade; mesmo sem ter ouvido a sua resposta. Rodei por vários minutos pelas ruas pensando no que havia acontecido; as pessoas que passavam ao meu lado tornaram-se meras figuras da paisagem urbana, tal eram os meus pensamentos. Viajei em todas as direções do meu pensamento, em cada uma delas um fato novo acontecia. Você agora era parte de minha vida real e, encontrava-me realmente feliz.
Em casa, escrevi no meu Diário:
“Querido diário! Hoje aconteceu algo muito importante na minha vida, consegui dizer algumas palavras ao meu apaixonado e, ele foi extremamente simpático comigo. Com já lhe contei, ele é um ‘tremendo’ de um gatinho. Seu sorriso é encantador. Acho que ele gosta de mim também. Aquelas histórias que lhe contei estão prestes a acontecer de verdade.”
Passados alguns meses, resolvi mandar-lhe um cartão que tinha na capa a imagem de dois jovens de mãos dadas olhando para o pôr-do-sol; onde escrevi algumas palavras que diziam indiretamente o que realmente queria dizer:
“O amor de Deus é como o Sol que brilha, não deixa escurecer nossos caminhos... Deus tem grandes planos em nossas vidas.”
E lá vou eu, de novo, passar em frente ao seu trabalho para poder entregar o tal do cartão. Era o primeiro cartão que eu escrevia para alguém e não sabia o que falar no memento da entrega. Será que você nutria por mim algum sentimento? Qual seria sua reação ao receber o cartão? Dúvidas e mais dúvidas invadiram os meus pensamentos. Quando lhe vi, você estava entrando para a Oficina com algumas peças nas mãos, atrasei os meus passos para ver se voltava. E não é que voltou! Pensei, naquele momento, que até o tempo conspirava em favor de nossa paixão, ou melhor, da minha paixão por você. Entreguei o cartão, falei que era uma simples recordação, mas que era também de todo o meu coração. Esperei algumas palavras vindas de você, mas notei que você estava surpreso e envergonhado demais para dizer qualquer palavra, principalmente perto dos seus colegas de trabalho que olhavam insistentemente aquela cena inusitada. Depois de sorrir para você e com a cabeça a mil, fui embora. Antes de virar a esquina olhei para trás e encontrei seus olhos a olhar o cartão. Aquele dia custou a passar de verdade, pensei que o tempo havia esquecido de passar. Esperei por alguma resposta sua no outro dia e nada. Somente ouvi de você ou mesmo “oi” de sempre. Mesmo assim, eu já estava feliz, pois sentia que aos poucos você iria ser uma parte efetiva de minha vida. Os minutos de minha vida passaram a ter um novo sentido: era a paixão que os consumia; momentos viraram segundos, segundos viraram horas, horas apenas instantes.
Daí uma semana aproximadamente, eu mandei uma amiga minha entregar-lhe outro cartão, dizendo que “sua atenção era muito importante para mim”. Mas o que me deixou um pouco sem graça, foi que sem perceber ou inconscientemente havia enviado o cartão no “Dia dos Namorados”. Não sei quais pensamentos passaram por sua cabeça. Mas tudo bem, o importante é que você aceitou o cartão com carinho, segundo o que disse a minha querida amiga.
Passaram-se mais alguns meses, resolvi marcar um encontro para poder realmente lhe contar o que sentia. Fomos, minha amiga e eu, no seu trabalho, era uma segunda-feira de muito sol e com algumas nuvens no céu anunciando o início das chuvas de verão. Conversando agora menos tensa, perguntei se havia gostado dos cartões e você disse que “sim”. Aliviada, falei que tinha sido a melhor forma de dizer que sentia algo especial por você. Então marcamos um encontro para dali a alguns dias. Na verdade, lembro-me muito bem, seria para o próximo sábado, às 20 horas e 30 minutos, em uma da várias praças de nossa cidade; que eu sei que você ainda lembra do local. Na saída deixei com você um outro cartão, agora bem mais sugestivo, que dizia:
“Minha paixão por você é como o vento, não posso vê-la, mas posso senti-la com toda a força, enquanto refresca o meu corpo febril”.
Sai dali, desta vez, sem muita pressa. Olhei várias vezes para trás e encontrei os seus olhos mirando os meus. Contornei a esquina sentindo vontade de voltar lá e dar em você um longo abraço e um beijo apaixonado, mas me contive a tempo. Ou melhor, foi minha amiga que não deixou que eu realizasse tamanha loucura.
Aquela semana passou tão devagar, mas enfim o final dela havia chegado. Minha amiga combinou de passar em minha casa às 20 horas e 15 minutos. Como sempre ela fazia, não chegou na hora certa. Eu já estava nervosa quando ela apareceu toda sorridente, como se nada houvesse acontecido, isto às 20 horas e 40 minutos. Saímos apressadas para o encontro, quase correndo. E quem disse que você estava lá? Eu pensei logo: será que vai me dar um fora, justo no primeiro encontro? Passavam tantas pessoas nas ruas, pois era tempo de festas em nossa cidade, mas nenhuma delas preenchia a necessidade de lhe ver. Eu olhava para os quatro cantos da praça e, cadê você? Já passavam das 21 horas e nem sinal. Quase meia hora depois, você apareceu, do outro lado da praça, acompanhado por uma garota; mudou a direção de seus passos e passou a caminhar sozinho em minha direção. Confesso que comecei a chorar de felicidade e de emoção. Mas me contive logo e coloquei um lindo sorriso nos lábios. Minha amiga e eu levantamos juntas e fomos ao seu encontro. Cumprimentamo-nos e, logo a minha amiga inventou uma desculpa para ficarmos sozinhos no banco da praça. Sentados no banco, eu não parava de tremer. Quanto mais pensava no que dizer, mais ficava trêmula. Mas meus pensamentos falavam para não ter medo e começar a conversar, ou melhor, responder o que me perguntava e nem havia percebido.
Continua na próxima.
Fonte: Livro Coração Jovem Paixões para a Vida. Autor José Maria Cardoso
Escrito por escritorjmcardoso às 10h17
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Os sonhos não morrem sozinhos, nós é que os matamos de pouco a pouco, quando vamos desistindo das coisas importantes da vida, não das grandes, mas das que são a nossa própria vida em suas insignificâncias.
José Maria Cardoso
Fonte: Livro Ápeiron Uma Última Esperança, Autor José Maria Cardoso
Escrito por escritorjmcardoso às 10h20
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Escrever é viajar por um longo tempo por um mundo desconhecido, voltar por um minuto à realidade ao terminar cada história de um livro e depois continuar a sonhar, agora com outro mundo, completamente diferente do anterior, na pele também de outro personagem.
José Maria Cardoso
Trecho do Livro Conto, Reconto; Encontro um Novo Conto. Autor José Maria Cardoso. Que será lançado no mês de maio de 2008
Escrito por escritorjmcardoso às 11h32
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"A minha vida espera por você como a terra seca espera pela chuva depois de um longo e tenebroso período de estiagem. Estarei esperando por você com o amanhã espera pelo orvalho; como a noite espera pela luz para tornar-se dia; como o finito ser humano espera pela eternidade. A esperança que vive em mim será capaz de transformar este meu sofrer em completa felicidade, basta para isto que você volte amor. Volte a morar no peito meu! Volte amor, pois preciso de seu amor para viver a minha própria vida!"
Trecho do Livro Conto, Reconto; Encontro um Novo Conto. Autor José Maria Cardoso. Que será lançado no mês de maio de 2008.
Escrito por escritorjmcardoso às 18h40
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